Pra quem gosta de ler nas entrelinhas
A Letra Miúda surgiu em 2023 com a proposta de colocar em textos e cores uma revista literária escrita e ilustrada por mulheres, e, desde então, expandiu sua atuação até se tornar uma editora independente. A revista continua ativa e cheia de sentido, mas passamos a desenvolver outros projetos editoriais e educacionais, num abraço literário com a Macondo Casa Editorial. Um resultado bonito que inclui, entre muitos fazeres, a produção de livros, plaquetes e outros materiais editoriais, além de oficinas de escrita e rodas de leitura.
Queremos ser casa, um lugar para aprofundar ideias que se transformam em narrativas textuais e visuais e que se diferenciam pela curadoria editorial e pelos projetos gráficos criativos, formatados a partir do conceito de cada obra.
Loucura crua cura
Ao som de Ivone e de mãos dadas com Nise produzimos esta sexta edição da revista Letra Miúda: Loucura crua cura.
O desenho começou nos paralelepípedos de Paraty, na Flip/2025, quando nossa colaboradora Anna Claudia Ramos esbarrou na escritora espanhola Rosa Montero convidando: “Conversa comigo sobre O perigo de estar lúcida?” O sim de Rosa ecoou em nós em uma visita ao Espaço Travessia, no Rio de Janeiro, alguns meses depois, e o tema da edição veio em assombro: Arte e Saúde Mental.
Nossas colunistas derramaram poesias e contos mergulhando nesse território e trouxemos novos nomes com mulheres que trabalham Saúde Mental pela palavra, pela literatura, pela comunicação e pela educação. Mulheres que têm a arte atravessada em si e compartilham nessas páginas pulseiras trançadas em coletivo; a loucura de quem tem o lápis e de quem tem o grito, como fresta na parede; o retorno de quem cantou para voltar de seus demônios mais profundos; a autoestima intelectual feminina; a potência generosa da arte da palavra no cuidado humanizado; o lugar da escrita que nasce dos restos e rastros da escuta; a urgência de nomear o incompreensível, e os desvãos do espaço que ocupou enfermarias psiquiátricas com ninhos de arte e trocou camisas de força por cores, e gritos por gargalhadas.
A arte visual estampada nas paredes que já comprimiram mulheres e homens em internação psiquiátrica ilustra estas páginas, como um lembrete de Nise: “Vivam a imaginação, pois ela é a realidade mais profunda.” Amanda Olbel, Esther Morgana de Araújo, Georgia Chagas e Nai Rezende são artistas que passaram pelo Espaço Travessia, o Núcleo de Cultura, Ciência e Saúde do Instituto Municipal Nise da Silveira, e nossa Loucura crua cura não poderia ser melhor ilustrada.
Sua benção, D. Ivone. Sua benção, Mestra Nise. A arte dessa Letra Miúda tá na rua. Saúde!









